Segundo os documentos, a Juventude Franciscana é formada por aqueles jovens que se sentem chamados pelo Espírito Santo para viver em fraternidade o ideal franciscano de vida.
A JUFRA é um caminho de vocação, que tem a proposta de despertar nos seus jovens para uma vocação, seja ela religiosa, sacerdotal, matrimonial, leiga, dentre outras. A formação da Juventude Franciscana trabalha principalmente a vocação franciscana secular, uma vez que é parte da Ordem Franciscana Secular. No caso em questão, quero apresentar o processo de transição da JUFRA para OFS (vocação laical).
Os jufristas, aos encerrarem sua Formação Básica (FBJ), participam de um encontro de final de semana chamado Encontro Inicial da Etapa da Formação Franciscana. Ao término deste Encontro, segundo as Diretrizes de Formação da JUFRA, os jovens fazem o pedido de Admissão à Ordem Franciscana Secular. Após a admissão, os jufristas irão para a Etapa da Formação Franciscana (EFF), onde esta na OFS é chamada Etapa dos Formandos. Nesse período (dois ou três anos) os jovens que estão nessa etapa irão estudar os temas propostas pelas Diretrizes dentre eles: Regra da OFS e Constituições Gerais da OFS.
Se nas fraternidades da JUFRA não existirem fraternidades da OFS próximas, o Conselho Regional da OFS será responsável, juntamente com a JUFRA, pela formação daqueles jufristas que estão na EFF. Ressalto que em todos os casos, o (a) Animador (a) Fraterno é particularmente responsável por acompanhar a formação desses jovens. Terminado o período dessa Etapa de Formação, os jovens solicitam ao Conselho da Fraternidade da OFS a sua Profissão (temporária ou definitiva) e uma vez professos, os jufristas poderão continuar participando paralelamente da JUFRA e OFS.
A partir daí é interessante que os jufristas, aos poucos e gradativamente, desliguem-se da Fraternidade da JUFRA para que possam posteriormente participar somente da OFS. Lembro que, os jovens poderão permanecer na JUFRA até os 30 anos de idade, sendo assim, poderão participar das duas fraternidades (OFS e JUFRA). Após esse limite de idade, o jovem deve se desligar da Juventude Franciscana, não podendo assim assumir nenhum cargo / serviço, não tem direito a votar e ser votado, e não tendo mais a obrigação de pagar a contribuição fraterna da JUFRA.
É interessante e necessário que os jovens tenham isso em mente, fazendo dessa transição um processo natural e essencial para o amadurecimento e prosseguimento da caminhada franciscana, tanto individual como coletivamente.
A Deus louvor, honra e glória para sempre! Paz e bem!
Jackson dos Santos Barbosa, OFS/JUFRA Secretário Fraterno Nacional
- é o emblema e a "assinatura" de São Francisco de Assis
e dos Franciscanos.
"São Francisco nutria grande veneração e afeto pelo sinal TAU. E mesmo o recomendava muitas vezes por palavras e escrevia de próprio punho sob as cartas que enviava, como se de sua missão consistisse, conforme a palavra do profeta em marcar com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram, (Ez 9, 4), convertidos sinceramente a Cristo".
( S. Boaventura, Legenda Maior, IV, 9 ).
Uma das mais preciosas lembranças de São Francisco de Assis é esse pergaminho, datado de 1224, escrito de próprio punho pelo Santo, conservado atualmente no Sacro Convento, em Assis.
Em baixo do texto da "Bênção" há um TAU, sobre a cabeça. Com letras vermelhas, Frei Leão acrescentou o seguinte comentário: "Dois anos antes da sua morte passou o bem-aventurado Francisco a Quaresma no Monte Alverne (...). Depois duma visão e colóquio com um Serafim, e depois da impressão dos estigmas de Cristo no seu corpo, compôs ele estes Louvores e os escreveu de próprio punho no verso desta folha, rendendo graças ao Senhor pelo benefício recebido. O bem-aventurado Francisco escreveu esta bênção de próprio punho para mim, Frei Leão. Igualmente desenhou ele de próprio punho este sinal T com a abeça.”.
Origem histórica e significado teológico do sinal TAU
Toda a família franciscana nutre um grande carinho pelo TAU, fazendo dele seu distintivo e seu programa de vida. Mas não são só os franciscanos; também outras pessoas que se identificam interiormente com a mensagem de São Francisco de Assis, "o irmão universal", usam, com cada vez mais freqüência, o TAU como expressão da sua simpatia e do seu compromisso com os ideais do Santo de Assis.
O quê significa o Tau? Como São Francisco chegou a fazer dele seu "selo e sua assinatura"?
Que programa de vida e de ação encerra para todos os que, hoje, o usam?
1. O significado simbólico do TAU.
O TAU é uma letra dos alfabetos hebraico e grego. No alfabeto hebraico (língua em que foi escrita a Bíblia), ela ocupa o ultimo lugar, passando a significar, assim, a "complementação da Lei". Ela é, também, a primeira letra da palavra "Torah" (Lei). A letra grega TAU, baseando-se no texto do profeta Ezequiel 9, 4, tornou-se símbolo da cruz, fim e complementação da antiga Lei: "Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz (Tau) na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem".
Na época da Patrística ( primeiros séculos da Cristandade), a letra TAU foi interpretada como a cruz de Jesus Cristo, símbolo da complementação da antiga lei. Pelo seu aspecto gráfico, o TAU ( T ) lembrava o mastro de um navio. Navio simboliza a Igreja ( Barca de Pedro, comunidade dos remidos), o mastro simboliza a cruz de Cristo, que é a força condutora da Igreja.
2. São Francisco e o TAU.
Como São Francisco chegou a usar o TAU, de modo a identificar-se com ele?
a)Pela influência da época.
Na época de Francisco o TAU era conhecido comumente pelo povo e entendido como sinal da salvação, com seu rico significado simbólico e com seus poderes até de afastar peste ou curar doentes.
b)Pelo contato com os Eremitas de Santo Antão (ou Antônio Abade).
Sabe-se que a conversão definitiva de Francisco, o encontro com Cristo pobre e crucificado, se deu no beijo depositado no rosto de um leproso. Os primeiros anos da sua vida segundo o Evangelho, Francisco passou tratando dos leprosos, nas proximidades de sua cidade natal, Assis. Os leprosos eram para ele a presença viva do próprio Cristo. Ora, nas idas a Roma costumava a hospedar-se no hospital de leprosos mantidos pelos Irmãos de Santo Antônio. Estes portavam um grande TAU nos seus hábitos, sinal de pertença à irmandade e de serviço de caridade.
c) O TAU, símbolo do compromisso com o Evangelho e da renovação da Igreja.
A mais forte influência, para o uso do TAU, exerceu sobre São Francisco o Concílio Lateranense IV, convocado pelo Papa Inocêncio III e iniciado aos 11 de novembro de 1215.
O Papa convocou este Concílio com o propósito de despertar toda a Cristandade para dois objetivos: a defesa dos lugares Santos da Palestina, contra os Saracenos e, o que é mais importante, para uma campanha de renovação de toda a Igreja.
A importância deste Concílio expressam bem os números das pessoas convocadas pelo Papa: 2212 padres conciliares, dos quais 412 bispos, 800 abades e superiores das Ordens Religiosas, e o restante, os embaixadores, teólogos e líderes dos movimentos religiosos. São Francisco foi convidado na qualidade de fundador de uma nova Ordem.
O Papa abriu os trabalhos conciliares com uma fantástica pregação que imediatamente adquiriu uma larga repercussão. O fio condutor foi as palavras de Cristo: "Ardentemente desejei comer esta Páscoa convosco".(Lc 22, 15).
Lembrou que "Páscoa" significa "passagem" e fez votos que o Concílio, a nova Páscoa, dê início à tríplice "passagem":
corporal, espiritual e eterna.
A passagem corporal seria a cruzada e a recuperação de Jerusalém; a passagem espiritual deveria ser a mudança de costumes, ou seja a reforma da Igreja; a passagem eterna significaria a renovação da vida Espiritual pelos sacramentos, especialmente da Eucaristia.
A segunda parte da pregação, referente a passagem espiritual, foi o enérgico comentário ao Capítulo 9 do Livro de Ezequiel. O Papa fez suas as palavras do profeta: "Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, marca com uma cruz (tau) na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometeram"( Ez 9, 4), e acrescentou: O "TAU é a última letra do alfabeto hebraico e a sua forma representa a cruz, exatamente tal e qual foi a cruz antes de ser nela afixada a placa com a inscrição de Pilatos. O TAU é o sinal que o homem porta na fronte quando com todo o seu ser revela a irradiação da cruz... Sejam, portanto, os mestres desta cruz".
São Francisco ficou vivamente impressionado com este apelo. Sentiu-se pessoalmente convocado a fazer conforme a Igreja lhe pedia: do apelo do Papa fez o programa da sua vida e apostolado e do sinal TAU fez o seu próprio distintivo.
3. O TAU, sinal do compromisso com o Evangelho e com a "Nova Evangelização".
São Francisco de Assis continua sempre vivo, assim como sua mensagem de "viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo". Sua mensagem é universal, porque o próprio Evangelho que ele viveu de forma tão simples e tão humana, é universal, é a Boa Nova para todos. Jesus é esta Boa Nova! Jesus é a solução! Usar, hoje, o TAU, significa abraçar este Cristo, modelo do homem total, homem feliz. Significa comprometer-se com as exigências do Evangelho e com a Nova Evangelização. Ser, como São Francisco, "mensageiros do Grande Rei!"
"Bênção de São Francisco a Frei Leão":
"O Senhor te abençoe e te proteja.
Mostre-te a sua face e se compadeça de ti.
Volva a ti o seu rosto e te dê a Paz" (Nm 6, 24-26)